O que é titulação de dose e por que o seu médico ajusta o GLP-1
Quando o médico receita um GLP-1, a primeira injeção não vem na dose que vai manter o tratamento funcionando por meses. Começa-se baixo. E isso não é burocracia ou demora desnecessária. É o corpo dizendo que precisa de tempo para entender o que está acontecendo.
Titulação é o nome dado a esse processo de ajuste gradual da dose. A ideia é simples: encontrar a quantidade certa para cada pessoa, respeitando o ritmo que o organismo aceita sem provocar efeitos colaterais graves. Não existe uma dose única que funcione igual para todo mundo. O que funciona é um ponto de partida comum e uma subida progressiva até chegar onde o tratamento faz efeito sem fazer mal.
A maioria dos medicamentos GLP-1 disponíveis no mercado segue esse protocolo. Ozempic, Wegovy, Mounjaro, Saxenda — todos têm uma tabela de progressão. Alguns sobem de 0.25 mg para 0.5 mg, depois para 1 mg, depois para 2 mg. Outros começam em 2.5 mg e vão até 15 mg. A lógica é a mesma: começar devagar, observar, ajustar.
Os ensaios STEP e SUSTAIN FOREVER, conduzidos por Wilding et al. (2021) e Rubino et al. (2021) respectivamente e publicados no periódico Diabetes, Obesity and Metabolism, acompanharam milhares de pacientes ao longo de meses e demonstram que esse formato de titulação reduziu significativamente a taxa de abandonos por efeitos colaterais. Quando a dose sobe aos poucos, o corpo se adapta. Quando pula fase, o risco de náusea persistente, vômito e desidratação sobe de forma desproporcional. A titulação não é lente de aumento. É freio de mão.